No centro de São Paulo, em uma área que vai da Praça do Patriarca até o Teatro Municipal, 27 esculturas em forma de homens, feitas de ferro e em escala real, estão solitárias no topo de prédios. Elas transformam a paisagem urbana de uma maneira discreta e instigante ao mesmo tempo – afinal, as obras nos observam, inertes, ou seriam alienígenas que aparecem à nossa vista?
Em Nova York, quando o artista inglês Antony Gormley realizou, em 2010, essa mesma instalação, Event Horizon (Horizonte de Eventos), na Madison Square, algumas pessoas se assustaram, pensando serem as esculturas potenciais suicidas. O escultor se diverte com a história. “Event Horizon é um nome que vem da física, sobre a idade da visão a partir de um buraco negro, das constelações em expansão, depois do big-bang, que se movimentam rapidamente. O princípio básico dessa obra é uma ideia conceitual de que somos limitados pela percepção. O corpo é tirado de onde ele normalmente se encontra e está exposto contra o céu, olhando um horizonte que não podemos ver porque estamos incrustados na cidade. Quero que as pessoas olhem ao redor”, conta o artista, que também já colocou suas obras no mar e na natureza. “Estou impressionado com a arquitetura de São Paulo, orgânica e com princípios geométricos. Parece uma peça de geologia, inconsciente, feita com uso inteligente do concreto e com grafites. Os prédios são como cristais.”
Event Horizon, já exibida também em Londres, compreende, ainda, 4 esculturas de homens (tendo como molde o próprio corpo do artista) espalhadas pelas ruas da região central paulistana. É um dos destaques da mostra Corpos Presentes – Still Being, primeira grande exposição do conceituado Antony Gormley na América do Sul, com criações dos anos 1990 e 2000, a ser inaugurada no sábado, no Centro Cultural Banco do Brasil. Vencedor do prêmio Turner, em 1994, ele também é contemplado na cidade com a mostraFatos e Sistemas, preparada especialmente por sua galeria inglesa, a White Cube, que veio participar da SP-Arte 2012 e alugou um galpão de 500 m² perto do Parque do Ibirapuera.
Desde a semana passada, Gormley, de 61 anos, está em São Paulo para a montagem de sua mostra – que tem curadoria de Marcello Dantas e depois seguirá para o Rio de Janeiro e para Brasília. Sua experiência na metrópole tem sido “inspiradora”, diz. Ele, que em 1992 criou Amazonian Field com milhares de pequenas figuras esculpidas em terracota – obra feita para a ECO 92 e exibida em Rondônia -, conta que no domingo, na Virada Cultural, foi ao show de Gilberto Gil na Praça Júlio Prestes e o achou “vibrante”. Surpreendeu-se, depois, ao saber que o músico, “rocker” que tanto “requebrou”, já havia sido ministro da Cultura.
Mais ainda, viu no centro que as pessoas fervilham de um lado para o outro com uma energia muito “diferente” da vista nos transeuntes ensimesmados de Londres.












































































